
há alguns dias, o cantor que fez fama nos anos 80, Luis Caldas, sofreu um preconceito ao cantar uma música que fez muito sucesso nessa década.
Quando criança eu sempre frequentava as micaretas(carnaval fora de época) e a música mais esperada era esta que transcrevo abaixo:
Nega do cabelo duro
Que não gosta de pentear
Quando passa na baixa do tubo
O negão começa a gritar
Pega ela aí
pega ela aí
Pra que ?
Pra passar batom
De que cor?
De violeta
Na boca e na bochecha
Pra que?
Pra passar batom
De que cor?
De cor azul
Na boca e na porta do céu
lembro-me do "fricote" que era quando começavam a tocar, as mulheres que se achavam nessa descrição logo se agitavam, as que não estavam também ,ninguém discrimanava, ou era o que parecia.
Hoje se o cantor quiser cantá-la terá que mudar para um "idioma" agora conhecido:
Afro-descendente do cabelo rebelde
que adota o visual black power
quando sai para a balada
o afro-descendente começa a gritar
cata ela ai! cata ela ai!
pra que? pra passar baton. De que cor e por ai prossegue.
eu não sou racista até porque sou negro, e não me importo de que me chamem assim pois sei a cor que tenho e não me incomoda, pelo contrário me orgulho. O que me incomoda é ouvir músicas do tipo:
Eu vou pro baile, eu vou pro baile
Sem, sem calcinha
Agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar
Daquele jeito!
Sem, sem calcinha
Eu eu, eu eu, eu eu, eu eu
Eu vou pro baile procurar o meu negão,
Vou subir no palco ao som do tamborzão,
Sou cachorrona mesmo
E late que eu vou passar
Agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar!
Dj aumenta o som...
No local do trepa-trepa eu esculacho tua mina
No complexo, ou no mirante
Ou tu no muro da esquina
Na primeira tu já cansa
Eu não vou falar de novo
Aqui que piroca boa, bota tudo até o ovo!
(Ai, vai... ahhh!)
Ai que piroca boa, bota tudo até o ovo!
eu creio que está na hora de rever nossos conceitos.
















